DICAS PARA VISITAS A ENFERMOS (EM HOSPITAIS OU EM CASA)

(Se você faz visitas a enfermos deve ler este artigo e repassar a outros)

REAÇÕES DO ENFERMO PERANTE A DOENÇA

Diante da enfermidade a pessoa se vê tolhida de sua liberdade de ser ela mesma, não pode desempenhar suas atividades e sente-se ameaçada quanto a seu viver ou futuro. A reação diante de tudo isso é uma atitude psicológica chamada de MECANISMO DE DEFESA, classificada como inconsciente.

Eis algumas reações dessa natureza:

REGRESSÃO – O paciente se torna dependente dos outros, sem autonomia, adotando atitudes infantis, exagerando desproporcionalmente a gravidade do seu caso; reclama sem fundamento e constantemente do atendimento e da alimentação; queixa-se que os parentes ou conhecidos não o visitam.

FORMAÇÃO REATIVA – Os impulsos e as emoções censuradas como impróprias assumem uma forma de expressão contrária, aceitável para o consciente. No caso de doenças longas ou piora gradativa, o paciente afirma que está sendo perseguido pelos funcionários do hospital, adotando uma atitude defensiva e agressiva, pois estes representam sofrimento para ele. Pragueja, xinga, acusa os familiares de falta de interesse, que os médicos são irresponsáveis.

NEGAÇÃO – Ao tomar conhecimento do diagnóstico, o paciente se recusa a aceitar que esse problema de saúde é dele. A negação funciona como uma proteção contra a angústia. Ele acha que o resultado está errado, que outro médico deve ser procurado e continua tentando viver como se a enfermidade não existisse, evitando falar sobre o assunto. A negação pode ocorrer em crentes que adotam uma atitude triunfalista ao afirmarem: “Em nome de Jesus já estou curado, Deus não permitirá que eu seja operado”.

A psiquiatra Elisabeth Ross esquematizou as etapas pelas quais as pessoas passam antes de morrer, acrescidas aos estudos de Jean Ziegler, que comentou essas reações dos pacientes.

A descrição é:

CHOQUE – É pego de surpresa. A pessoa fica como que fora de si, alienada, e pode entregar-se às atividades mais fúteis, como se não houvesse nada de anormal acontecendo.

NEGAÇÃO – É a primeira reação de um paciente ao saber do diagnóstico ou que é possuidor de uma doença incurável. A negação é uma defesa temporária e por isso devemos deixar que o enfermo a utilize.

RAIVA – Quando não é mais possível manter a negação, ela é substituída por sentimentos de raiva (agressividade), revolta, de inveja da boa saúde dos outros, de ressentimento. “Por que eu?” As visitas dos familiares são recebidas sem entusiasmo. A reação deles é de choro, pesar, culpa e humilhação. Alguns evitam as visitas, aumentando a mágoa e a raiva do paciente.

DEPRESSÃO – São os seguintes sinais: humor triste e depressivo. Falta de interesse em tudo que o cerca, até em saber informações sobre seu estado clínico; apetite diminuído, insônia ou sonolência exacerbada, agitação ou lentidão psicomotora, sentimento de culpa e desvalia, dificuldade de pensar e de se concentrar, pensamento recorrente a morte.

BARGANHA – É uma tentativa de adiamento. São mantidas geralmente em segredo e são feitas a Deus (promessa de maior consagração, de realizar algo especial para Deus, etc). Muitas dessas promessas podem estar associadas a uma culpa escondida.

ACEITAÇÃO – Depois das lutas anteriores, o paciente entrega os pontos, sentindo-se fraco e cansado, e por isso dorme com frequência. O seu interesse pelas coisas diminui, desejando que o deixem só, ou que pelo menos não o perturbem com notícias do mundo exterior. Aqueles que estão para morrer deveriam chegar a um ponto de aceitação, para uma tranqüilidade interior.

DECATÉXIS – A pessoa não se comunica mas, é um semimorto. O agonizante está como que num mundo todo seu, que ninguém pode invadir.

 

TENSÕES PSICOLÓGICAS ENFRENTADASSegundo Gary Collins:

Ameaça à auto-suficiência e independência;

Vários profissionais estranhos se tornam responsáveis por ele;

Separação do convívio com familiares e amigos;

No caso de deformações físicas surge o temor de como será a aceitação por parte dos outros;

Temor de perder o controle das funções do seu corpo;

Aos recatados, medo de expor o corpo ou perder parte dele;

Culpa ou medo de castigo.

REAÇÕES QUE PODEM SER PROVOCADAS AOS PACIENTES:

PACIENTE RECÉM-INTERNADO:

Receia o diagnóstico;

Fica emocionalmente abalado;

Comenta demais sobre sua internação ou se fecha;

Teme a morte;

Ansiedade em ver os parentes e avisar-lhes de sua situação;

Preocupação com o emprego.

PACIENTE APÓS A INTERNAÇÃO:

Passa por um processo de humilhação (tem que usar a roupa do hospital, seu corpo é manipulado, nudez a vista);

Precisa se adaptar à rotina do hospital;

Tem que dar explicação a todos sobre o motivo da sua internação;

O hospital se torna uma prisão, um lugar angustiante e para se ver livre logo desse lugar, se resigna diante de tratamentos desagradáveis;

Começa a buscar a Deus diante da angústia;

Em muitos casos o paciente passa por um processo de despersonalização, tendo que se adaptar ao tratamento de uma forma passiva, pois quem decide tudo é o médico sem conversar com o paciente. Paciente do SUS desejam conversa com o médico mas em alguns casos isso não ocorre porque o médico não procura o paciente.

RELACIONAMENTO ENTRE OS PACIENTES:

Nas enfermarias os pacientes podem discutir ou compartilhar suas histórias, suas origens e exigências, sem levarem em conta diferenças culturais e outros fatores, tudo em benefício mútuo. Eles se sentem à vontade para:

Revelarem seus temores e detalhes d sua enfermidade;

Queixarem-se das enfermeiras e médicos;

Receberem e prestarem ajuda;

Aproveitam as oportunidades de conversa para compartilharem as experiências passadas em qualquer área da vida;

Dividem sentimentos e emoções, compartilhando problemas e desenvolvendo uma preocupação recíproca, consolando-se e animando-se mutuamente.

REAÇÕES DOS FAMILIARES DO ENFERMO:

A família acaba sendo afetada e as reações negativas podem ser a de estresse psíquico, ocorrendo desgaste físico e até depressão. A família se organiza nas suas funções, ocorrendo sobrecarga para alguns membros familiares e até a omissão de cuidados. A vida sócio-econômica também pode mudar radicalmente devido as perdas. Os familiares prejudicam o tratamento se forem excessivamente desconfiados em relação à equipe do hospital, com muitos questionamentos ou palpites. Alguns familiares se sentem culpados ou transferem a culpa ao paciente. Também podem se sentir vítimas do destino, castigo de Deus ou retaliação do inimigo. O enfermo muitas vezes precisa se esforçar para acalmar a família. Conforme a enfermidade, alguns familiares entram em crise de desespero, tirando a tranqüilidade do paciente.

QUALIFICAÇÕES PARA VISITAÇÃO:

Eleny Vassão enumera vários requisitos necessários do visitador:

Ter sabedoria e humildade para saber que você não é melhor do que ninguém;

Cultivar uma personalidade amável, agradável, cativante;

Ter habilidade de comunicar-se;

Ter humor estável;

Ter respeito as opiniões religiosas divergentes;

Ter discernimento e sensibilidade na conversação;

Saber guardar as confidências dos pacientes;

Saber usar a linguagem e forma de abordagem a cada pessoa;

Dar tempo e atenção ao paciente visitado;

Ter sensibilidade para com discrição, sentir quando é o momento mais oportuno para visitar;

Saber evitar a intimidade e não invadir a privacidade alheia;

Saber ouvir.

PRINCÍPIOS A SEREM OBSERVADOS NA VISITAÇÃO A ENFERMOS:

Bater à porta.

Pedir licença ou cumprimentar só verbalmente (a menos que o paciente estenda a mão).

Se apresentar como pastor(a); obreiro(a).

Se oferecer para orar (respeitar as negativas) pedindo o favor de abaixar o volume do rádio ou TV.

Convidar as pessoas do ambiente pra ouvirem a leitura bíblica e oração.

Caso o enfermo estiver no banho, fazendo curativos ou algum exame, RETORNE POSTERIORMENTE.

Se a enfermeira estiver atendendo o paciente ou o médico estiver presente no quarto, RETORNAR POSTERIORMENTE.

Se o paciente está com algum mal-estar (vômito, dor, confuso), abreviar a visita.

Às vezes o paciente faz as seguintes solicitações: para ajeitá-lo no leito, pede água ou algum alimento, solicita medicação. TODAS essas solicitações devem ser atendidas pelo serviço de enfermagem. Por isso, responda ao paciente que ele deve fazer esse pedido a enfermeira, ou em alguns casos (queda do paciente, escapou o soro) avisar o ocorrido no posto de enfermagem.

Em alguns casos quando o paciente apresenta um quadro de contaminação, é colocado um cartaz de alerta e de instruções na porta do quarto. Na dúvida, perguntar no posto de enfermagem e que deve fazer para entrar no quarto (utilizar máscara, luva, etc).

PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS, segundo Clebem Cesar:

O objetivo da visita NÃO É doutrinação, mas atender à necessidade do paciente; a visita deve ter um propósito: conforto, consolo para quem sofre. Muitas vezes, a tentação de “pregar” e apresentar o seu discurso faz com que muitos se esqueçam de que estão num hospital, desvirtuando, assim, todo o propósito da visita;

Quando tiver dúvidas sobre a situação do paciente, procure a enfermeira.

Ter discernimento para dosar o tempo da visita;

Não demonstre “pena” do paciente;

Mostre seu interesse pelo paciente, mas sem exageros;

Preste atenção naquilo que o paciente está falando, verificando quais são suas preocupações;

Não conduza a sua conversa de tal maneira que exija do paciente grande concentração e esforço mental para acompanhar (ele pode estar sob o efeito de medicamentos);

Ao paciente que acha que não será curado, encoraje. Mas, faça-o com prudência, sem promessas infundadas;

Não fale sobre assuntos pavorosos;

Nunca pratique atos exclusivos de auxiliar de enfermagem, tais como: dar água ou qualquer alimento, ou locomover o paciente, mesmo que seja a pedido dele;

Nunca discuta sobre a medicação com os pacientes;

Mantenha os segredos profissionais (num leito de hospital o paciente fala muita coisa de si mesmo e de sua vida pessoal);

Nunca comente nos corredores do hospital, ou fora deles, o tipo de conversa ou encaminhamento de sua entrevista mantida com o paciente;

A ética deve ser rigorosamente observada. Tome muito cuidado!

Não cochiche ! Pacientes apresentam alto nível de desconfiança;

Aproveite a oportunidade como se fosse a única. Na medida do possível, o ministério junto ao enfermo, dentro de um hospital deve ser completo, numa “dose única”;

Evite a intimidade excessiva, não invadindo a privacidade alheia (tanto do paciente quanto do seu acompanhante);

Respeite a liberdade do paciente quando ele não quiser (ou não estiver preparado para) falar sobre seus problemas;

Nunca tente ministrar o enfermo quando ele está sendo atendido pelo médico ou pela enfermeira, ou quando estiver em horários de refeições, ou quando a situação impossibilite (familiares, telefonando ou algo importante que ele está assistindo na TV);

Não faça promessas de qualquer espécie (cura, conseguir medicação, maior atenção dos profissionais de saúde, transferências, conseguir entrevista com o diretor). O próprio hospital tem meios de solucionar essas solicitações;

Em caso de possessão demoníaca, elas precisam ser discernidas;

Preste atenção nos cartazes afixados na porta do quarto, pois eles orientam por qual motivo você não pode entrar naquele momento ou quais os cuidados você deve tomar ao entrar no quarto. Talvez seja proibida a entrada por causa de curativo, troca de bolsa em pacientes renais, proibição de visita por ordem médica. O paciente pode estar isolado por causa de problemas de contágio e o cartaz estará orientando se for necessário utilizar mascaram jaleco, luvas ou evitar tocar no paciente. Também pode estar tomando banho;

Evitar apertar a mão do paciente, a não ser que a iniciativa seja dele;

Nunca sentar-se na cama do paciente, evitando assim contaminar o doente ou ser contaminado por ele. Quando o paciente está em cirurgia, os lençóis ficam enrolados, não devendo NINGUÉM sentar ali;

Procurar estar numa posição em que o paciente veja você;

Cuidado se a sua voz for estridente;

Se for insultado, reaja com espírito cristão;

Em suas conversas, orações, leituras de textos, fale em tom normal. Evite a forma discursiva e com voz estridente, a não ser que seja em ambiente amplo.

Observar se o paciente está com mal-estar (náuseas ou dor), procurando abreviar ao máximo a visita.

ATITUDES ADOTADAS PERANE O PACIENTE E O CORPO CLÍNICO:

Para o paciente, o médico é a pessoa mais importante no hospital, em quem ele deposita a sua confiança. É a visita que ele deseja ansiosamente; portanto, quando chegar o médico, procure encerrar o assunto ou oração ou retirar-se discretamente. Evite dar palpites sobre o tratamento do paciente ou sobre a conduta do médico. Procure trabalhar em harmonia com o pessoal da enfermagem, pois os pacientes dependem deles.

APLICAÇÃO BÍBLICA:

Sabemos que a enfermidade é proveniente da raça humana em pecado. Em muitas situações a enfermidade surge por culpa direta do próprio indivíduo que não cuida do seu corpo como deveria, ou por causa da violência urbana. Mesmo que o indivíduo seja culpado de sua situação, devemos levar-lhe uma mensagem que Jesus deseja lhe dar saúde total, tanto no corpo como na alma, pois Ele disse: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância“ (João 10:10).

A mensagem que se deve trazer ao enfermo é a mensagem bíblica de esperança e consolo. Essa mensagem é verbal através da leitura bíblica, oração e aconselhamento. Também, através de expressão corporal, tais como expressão de carinho, sorriso e demonstração de empatia.

Encontraremos na Bíblia textos relacionados às mais diversas necessidades do ser humano. São esses textos que devem ser apresentados aos pacientes na esperança de despertamento de fé nas promessas de vida.

Eis alguns assuntos relacionados ao estado de espírito dos pacientes:

Aflição – Salmos 34:19 – 86:1 – 119:107 – João 14:1,27

Angústia – Naum 1:7 – Salmo 4:1 – 18:6 – 60:11 – 119:50

Ansiedade – Salmos 46:10 – Mateus 6:31-34 – Filipenses 4:6-7 – I Pedro 1:7

Cansaço – Mateus 11:28-30

Choro – Salmos 30:2-5 – Apocalipse 21:4

Desânimo – Salmos 42:11 – Provérbios 18:14 – Filipenses 4:13 – Hebreus 12:3

Deus se compadece – Isaías 38:18 – Lamentações 3:22-26 – 2 Coríntios 1:3-5

Direção divina – Salmos 37:5 – João 3:27

Dor – Salmos 41:3 – Isaías 43:4,5

Fraqueza – Deuteronômio 32:39 – Salmos 31:24 – Isaías 12:2 – 41:10 – Oséias 6:1 – 2 Coríntios 12:7-10

Impaciência – Salmos 27:13-14 – 37:8

Medo – Salmos 34:4

Morte – Ezequiel 18:32 – Salmos 68:20 – Hebreus 2:14-15

Oração – Salmo 5:1-3 – 66:20 – Lucas 11:9-13

Pobreza – Salmos 40:17 – 70:5

Preocupações – Salmos 55:22

Raiva – Salmos 37:8 – I Tessalonicenses 5:16-18.

Sofrimento – Salmos 22:11 – 34:6 – 57:1 – 2 Coríntios 16:18 – Hebreus 12:4-13

Solidão – Salmos 16:1

Presença divina – Deuteronômio 31:8

 

Bibliografia:

CAVALCANTI, Eleny Vassão de Paula. Aconselhamento a pacientes terminais. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana

CAVALCANTI, Eleny Vassão de Paula. No leito de enfermidade. São Paulo: Casa Editora Presbiteriana. 1989.

HARPPRECHET, Christoph Scheider. Como acompanhar doentes. São Leopoldo: Sinodal. !994.

FERREIRA, Damy & ZITTI, Lizvaldo Mário. Capelania Hospitalar. Santa Barbara D’Oeste: SOCEP, 2002.

Texto revisado em 01/05/2009 por S.F.

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